Ilha Terceira com um bebé - as nossas dicas e roteiro

Quando vimos que ia haver um fim de semana prolongado começámos logo à procura de voos baratos e desta vez encontrámos para a ilha Terceira, ida na sexta à tarde, volta na segunda de manhã [seria melhor só à tarde, mas era a única hipótese].


Sabíamos que só dois dias com um bebé iria ser pouco tempo e que teríamos de seleccionar bem onde iríamos. Mas somos da opinião que antes dois dias que nenhum, portanto assim o fizemos.


Ficam as nossas dicas e a nossa rota!


Quando ir?


Nos Açores a temperatura não varia muito e, no mesmo dia, pode-se ter as quatro estações. Nós tivemos sorte e quase não apanhámos chuva. Até sentimos bastante calor apesar da máxima ser 23°.


Mas acima de tudo é uma questão de sorte. A grande vantagem de ir no Verão são os dias mais longos que permitem aproveitar mais. Fomos a S. Miguel em Dezembro e a partir das 17.30 ficava de noite, o que nos limitou um pouco.


Para ver baleias tem de ser no início da Primavera.


Quanto tempo ficar?


O ideal talvez seja 3-4 dias. Permite ver todos os pontos de interesse e fazer caminhadas.


Dois dias, ao ritmo de um bebé foi um pouco apertado! Conseguimos ver os pontos principais mas tivemos de respeitar algumas sestas e ir para casa mais cedo para ele poder brincar e mexer-se livremente. Esta fase em que ele rasteja mas não anda é mais chata para viajar porque não podemos pô-lo no chão em qualquer sítio; temos sempre de reservar um tempo do nosso dia para o deixar mexer-se à vontade.


Onde ficar?


Nós ficámos em Angra do Heroísmo mas na verdade qualquer sítio é bom! A ilha é relativamente pequena e em 20-30 minutos estamos do outro lado.

Ficar mais próximo de Praia da Vitória tem a vantagem de ser mais próximo do aeroporto mas não é muito significativo.


Como fazer deslocações?


Alugar carro é essencial para conhecer bem a Terceira. É a única forma de andar ao próprio ritmo e chegar a qualquer lado rapidamente.

Alugámos através da Rental Cars porque ficava significativamente mais barato.

Lá a senhora convenceu-nos a fazer um upgrade do carro mas, em compensação, ofereceu a cadeira auto [tínhamos levado o ovo mas o Francisco ficava com cara de poucos amigos de cada vez que o púnhamos lá].


O que comer e onde?


Geralmente nas viagens comemos comida de supermercado ou sandes para poupar dinheiro. Mas ir aos Açores e fazer isso era um crime! Tivemos de provar as típicas Alcatras, a de peixe e a de carne. Além disso, também quisemos provar o peixe típico de lá, o boca negra. Acabámos por provar o cântaro porque já não havia o boca negra e nos disseram que era muito parecido.

Comemos cântaro grelhado no restaurante Sabores do Atlântico, logo à saída do aeroporto, e ficámos encantados!

Depois almoçámos uma Alcatra de peixes divinal [há só com um tipo de peixe, mas aconselharam-nos a de vários] no restaurante Boca Negra em Porto Judeu. E no domingo almoçámos no restaurante Caneta, em Altares, a alcatra de carne acompanhada de pão doce também óptima! Este restaurante fica rapidamente reservado e só reservam uma mesa por refeição; tivemos sorte porque fomos logo ao meio dia e havia uma reserva só para as duas. O melhor é mesmo ligar no dia antes a reservar!


Quanto aos doces regionais falaram-nos da pastelaria O Forno em Angra, mas como visitámos Angra no domingo à tarde estava fechada. Tivemos de entrar no único café que encontrámos aberto e provámos apenas as D. Amélia.


Ilha Terceira com um bebé


Mais uma vez levámos o carrinho para ocupar espaço no porta bagagens! Nalguns locais seria fácil usar o carrinho, como em Angra do Heroísmo ou em Praia da Vitória, noutros seria impossível, como no Algar do carvão ou nas Furnas de enxofre. É possível fazer ambas com um bebé no colo, mas muito mais confortável com a mochila! Nós fizemos tudo de mochila porque achamos mais confortável e fácil.

A ilha Terceira é um local fácil para viajar com um bebé. As pessoas são muito simpáticas e sentimo-nos sempre bem vindos. Nos restaurantes traziam logo as cadeiras de refeição e brincavam sempre com o Francisco.

O único local que não visitámos porque nos aconselharam a não o fazer [tanto uma amiga, como a senhora da bilheteira] foi a gruta do Natal porque tem uma zona que é preciso ir quase de gatas.

Quanto à comida, levámos sopas congeladas já com carne e peixe misturados, para não termos de levar duas coisas, e um termo. Aquecíamos de manhã e levávamos pronta a comer. Comprámos no supermercado uns pacotes de fruta e umas bolachas e ficámos com os lanches resolvidos.

Aproveitámos as sestas para fazer as viagens mais longas sempre que possível. Quando não calhava usávamos a mochila e dormia coladinho a nós.


Pontos de interesse e a nossa rota


Sábado


O nosso alojamento era muito próximo do Monte Brasil e decidimos começar a visita por aí! Estacionámos próximo do Forte São João Baptista e começámos a subir. Quando chegámos ao portão principal percebemos que estava fechado e então continuámos a caminhar contornando o forte pelo lado esquerdo. Até que chegámos a uma estrada onde estavam a passar carros. Perguntámos ao militar que estava na entrada do Forte se se podia ir de carro até ao Monte Brasil e ele disse que sim mas que se quiséssemos visitar o forte estava para iniciar a visita das 11.00 [há uma a todas as horas entre as 10 e as 16]. Decidimos ir! A visita é gratuita, dura cerca de 45 minutos e é acompanhada por um militar que vai contextualizando um pouco.

O forte foi iniciado no final do século XVI, quando estávamos sob domínio espanhol com o objectivo de proteger os navios vindos das américas. A muralha envolve todo o Monte Brasil. Mais tarde, foi usada como prisão política e é possível visitar as celas cavadas na rocha, onde se sente uma humidade que se entranha até aos ossos. Visitámos também a igreja, a cripta e as cisternas.



Quando saímos já era quase meio dia e decidimos deixar a visita ao Monte Brasil para o dia seguinte e ir logo almoçar. Fomos então para Porto Judeu comer a Alcatra de peixes. Depois de almoço, como estava a aproximar-se a hora da sesta do Francisco, decidimos fazer a estrada junto ao mar na costa este. Ao início fomos parando para apreciar a paisagem mas o Francisco começou a ficar com uma birra de sono por isso parámos na zona balnear seguinte, em Salgueiros onde passeámos a pé até ele adormecer. Salgueiros tem uma zona relvada com mesas de piquenique e umas piscinas naturais engraçadas, com uma cor de mar bem apetecível.


Quando ele adormeceu voltámos ao carro e seguimos pela marginal. Passámos pela marginal de Praia da Vitória mas sem sair do carro e subimos até ao miradouro do Facho de onde se vê toda a cidade e o verde envolvente. Seguimos para Norte pela zona militar, que é enorme, cheia de condomínios que parecem cidades fantasma. Como a sesta do Francisco já devia estar prestes a acabar e ainda eram 15.30 decidimos ir até ao Algar do carvão.


O Algar do carvão é uma gruta formada durante a erupção do vulcão, onde existe uma lagoa a cerca de 100 metros de profundidade e uma chaminé coberta de vegetação. As visitas são feitas pela associação Os Montanheiros e no site deles tem toda a informação de horários e preços. Em época alta é possível visitar todos os dias das 14.00 às 18.00. O bilhete só para o Algar custa 8€ para adultos e se for em conjunto com a gruta do Natal fica por 12€. Pode comprar-se o bilhete conjunto e visitar em dias diferentes. Comprámos apenas para o Algar por conselho da senhora da bilheteira e lá fomos. O interior do Algar é muito frio e húmido, mas os 338 degraus [não os contámos, vem no bilhete] ajudam a aquecer. Um impermeável é boa ideia porque estão sempre a cair pingos de água.

O Algar foi dos sítios mais bonitos onde já estivemos! É difícil descrever em palavras, só experienciando! Foi, sem qualquer dúvida, o ponto alta da viagem.



De volta ao carro, improvisámos um piquenique no parque de estacionamento, de maneira a o Francisco poder brincar um pouco no chão. Seguimos depois para as Furnas de enxofre, um local que também merece a visita! Depois fomos até ao acesso da gruta do Natal para visitar a lagoa do Negro, mas quando chegámos estava a chover e o Francisco dormia novamente, por isso nem saímos do carro.



Decidimos dar o dia por terminado e voltar para casa para lhe dar atenção.


Domingo


Começámos o dia no Monte Brasil. Este monte é um vulcão extinto. Tem vários percursos que se podem fazer e que ficámos com vontade, mas o tempo não dava para tudo e optámos por visitar só os miradouros onde era possível chegar de carro: o do Pico do Facho e do Pico das Cruzinhas. Ainda vimos um veado meio escondido mas tenho a certeza que se fosse a pé tínhamos visto bem mais!


Fizemos apenas um pequeno percurso até ao miradouro do Pico da Quebrada, utilizado como ponto de vigia durante a segunda guerra mundial, um caminho em túnel no meio das árvores!



Eram 11.30 quando acabamos de ver os pontos do Monte Brasil e decidimos ir logo para o norte, para Altares para almoçar no Caneta. Já contei em cima a sorte que tivemos e como a alcatra de carne era deliciosa.



Depois de almoço fomos até as famosas piscinas naturais dos Biscoitos. A água é realmente convidativa. Começámos por molhar só os pés, mas o Francisco começou a chapinhar e a quer ir com as mãos à água. Tirei-lhe as calças e desapertei-lhe o body e lá esteve ele a chapinhar todo contente! E nós cheios de pena de não estar com ele dentro de água. Mas ali para entrar só com sapatilhas de água e não tínhamos levado. Além de que não era a melhor hora para estar com um bebé a apanhar sol, por isso o banho foi rápido e seguimos viagem.


Ainda parámos no estacionamento das piscinas das Quatro Ribeiras mas só espreitámos de cima. Nestas, além das piscinas naturais também há uma piscina construída.


O Francisco estava a ficar cheio de sono, por isso estava na hora de fazer uma viagem maior. Decidimos ir até ao miradouro da Serra do Cume já que estava sol e o céu bem limpinho! Os últimos 3 quilómetros antes de lá chegar são uma estrada empedrada, claro que o Francisco, que foi o tempo todo a lutar contra o sono, adormeceu nesta altura! Parámos um pouco antes do miradouro para apreciar a vista sem confusão e depois novamente no miradouro só para tirar a foto da praxe! Mas não é fácil tirar uma foto lá sem aparecerem mais 30 pessoas das excursões que estão constantemente a chegar.



Já não tínhamos muitas horas e ainda tínhamos uns quantos pontos de interesse. Desistimos de subir ao ponto mais alto da ilha, a serra de Santa Bárbara, e de ir à lagoa das patas. Mas havia um ponto a que queríamos muito ir, um túnel no meio das árvores cerradas e que se via luz lá no fundo, na estrada entre as Furnas e a lagoa do Negro, que tínhamos reparado por acaso no dia antes mas não tínhamos parado. Pancadas nossas, mas temos um fascínio por florestas e matas densas, e sabíamos que se não fôssemos lá íamos ficar sempre com esse arrependimento, por isso fomos. O Francisco dormia por isso fizemos o caminho à vez para não o deixar sozinho. As árvores eram tão cerradas que mal entrava luz lá dentro e sentia-se imenso frio. No final, confesso que esperava encontrar um campo aberto, todo verdinho, mas não. Era apenas uma pequena clareira e mais árvores em toda a volta. Mas tínhamos de ir ver!


Voltámos depois para Altares para fazer a estrada do lado oeste da ilha. Parámos na mata da Serreta, um espaço muito agradável cheio de mesas de piquenique e coberto de musgo! Vimos a Graciosa e São Jorge da estrada mas já não parámos mais porque o Francisco estava muito inquieto e choroso, farto do carro e da cadeira. Fomos directos para Angra para dar um passeio pela cidade.


Visitar Angra ao Domingo à tarde é uma péssima ideia. Estava tudo fechado. Encontrámos uma ou duas lojas para turistas abertas e um café sem qualquer piada onde fomos só para comer uma D. Amélia. Não podíamos sair da Terceira sem provar uma. Passeámos pelo centro da cidade e o único sítio onde entrámos foi na Sé, mas estava a haver uma missa e espreitámos só do fundo. Depois demos um passeio na marginal e regressámos a casa que o Francisco já estava muito cansado e a hora de jantar aproximava-se.



A Terceira superou as nossas expectativas e ficou a vontade de ficar pelos Açores mais uns dias. Mal podemos esperar por regressar!