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Seis meses de ti [para leres quando cresceres]

23 Feb 2019

Seis meses! De repente ganho a consciência que passaram seis meses desde o dia em que nasceste. O dia que mudou as nossas vidas para sempre. Meio ano que voou. Meio ano que pareceu uma eternidade. Sim, estou a ser contraditória. Mas descobri que ser mãe tem muito de contraditório. As certezas desvanecem-se, as teorias são confrontadas com a realidade e tornam-se absurdas. As hormonas complicam tudo [ou assim parece]. No mesmo dia passo de felicidade pura a desespero total, várias vezes. A solidão bate à porta. 


Foram seis meses em que perdi muita coisa. Perdi horas e horas de sono. Perdi a noção do que é dormir mais de duas horas seguidas. Perdi espaço na cama. Perdi conchinhas na cama. Perdi tempo para namorar com o pai. Perdi refeições os dois em simultâneo. Perdi conversas com ele. Perdi conversas com os amigos. Perdi tempo para mim. Perdi tempo para coisas que adoro fazer: escrever, ler, pesquisar viagens. Perdi viagens. Perdi qualquer réstia de vontade de voltar ao trabalho. Deixei de vestir roupa porque gosto dela, o critério é sempre "consigo amamentar com isto?". Perdi a preocupação de combinar casacos com a roupa, passei a usar sempre os que consigo fechar para te tapar. Perdi a vergonha que achava que ia ter, amamento em qualquer sítio, ao pé de qualquer pessoa. Perdi 5 quilos [nem tudo é mau]. Perdi a noção das horas e horários, passei a viver ao teu ritmo. Perdi o controlo muitas vezes. Perdi a paciência nas horas que te adormecia e acordavas mal te deitava na cama. Perdi a paciência com o pai durante a noite [efeitos da privação de sono]. Perdi o amor ao dinheiro com tudo aquilo que te pode ajudar ou confortar nas cólicas. Perdi a calma sempre que te vi sofrer e desejei ser eu a ficar com as tuas dores. Perdi a tranquilidade de ser só eu e o pai e de não ter ninguém dependente das nossas acções e decisões. Perdi a minha vida como era. 


Perdi muita coisa mas ganhei-te! E isso supera todas as perdas do mundo! 
 

Ganhei um amor que nunca poderia imaginar existir, um amor que começou mal te tive nos braços e que aumenta a cada dia. Um amor que dividiu o meu coração ao meio e fez com que metade dele passasse a bater fora do peito. Um amor que aumentou ainda mais o meu amor pelo pai. Que aumentou o amor do pai por mim [ele não me disse, mas sinto-o e vejo-o no novo brilho do olhar quando olha para nós quando estás a mamar ou a dormir no meu colo]. Um amor que veio dar o verdadeiro significado à palavra família.


Ganhei um novo brilho no olhar de cada vez que olho para ti. De cada vez que olho para o pai contigo. De cada vez que o vejo insistir na mesma brincadeira durante meses até finalmente tu te rires à gargalhada. Ganhei sorrisos teus, meus, nossos! Ganhei a melhor gargalhada do mundo! 
 

Ganhei noção do que é realmente importante. Graças a isso deixei de gastar energia com coisas que não importam! Ganhei consciência que preciso de estar bem para te poder dar o melhor de mim.
 

E também descobri coisas em mim e no pai. Descobri novas formas de namorar, descobri que também se pode "dar o pé" quando as mãos estão ocupadas. Descobri que ter um filho é dos maiores desafios que um casal pode ter. Descobri que durante a noite tudo é triplamente difícil. Descobri que é preciso esperar pela manhã para saber se aquilo que me irritou durante a noite foi real ou apenas do sono [cheguei sempre à conclusão que é o sono]. Descobri que o meu coração é muito elástico, tanto está enorme, cheio de amor, como minúsculo quando te vejo sofrer. Descobri uma paciência e calma que não sabia ter. Descobri que tenho um colo mágico sempre disponível para ti, a qualquer hora do dia ou da noite [deves ficar mal habituado pelo menos até aos 60 anos]. Descobri como é bom encher-te de beijos. Descobri a magia de amamentar e de te ver crescer de forma tão natural. Descobri a dureza de amamentar. Descobri a alegria de ver uma fralda suja. Descobri a felicidade de cada conquista tua. De te ver descobrir as mãos, os pés, os brinquedos, a natureza. De cada toque teu a explorar a nossa cara, mesmo que isso implique umas bofetadas e unhadas pelo meio. De sentir a tua espécie de beijos babados. De te ver a descobrir o mundo. De te ver pedir a nossa atenção. De te ouvir palrar "patata" sem fim.


Descobri medos e receios que não sabia existirem! Medos que me fazem não conseguir adormecer sem ouvir primeiro a tua respiração quando estás mais calmo e ela mal se ouve. Tenho vindo a descobrir como é viver neste equilíbrio de controlar os medos e deixar-te crescer, desafio que, com certeza, vai aumentar com o teu crescimento!
 

Foram seis meses de descobertas a três! Seis meses em que descobri uma mãe em mim. Que descobri um pai no pai. Que descobri um orgulho enorme em ser tua mãe. Um orgulho de cada vez que, sem me aperceber, começas a sorrir para alguém e só percebo quando ouço um "que bebé tão simpático". Um orgulho em seres igual a mim [se fosses igual ao pai o orgulho seria igual]. 


Foram seis meses totalmente dedicados a ti, em que vivi exclusivamente para ti, com tudo de bom e mau que isso trouxe, em que fui a melhor mãe que podias ter tido, em que te dei o melhor de mim, mesmo quando isso era dizer-te com lágrimas a escorrer pela cara que estava a chorar por causa do cansaço, não era por tua causa, que te amo acima de tudo. Seis meses que me fazem não querer sair de ao pé de ti e ficar muito ansiosa por saber que em breve vou ter de voltar ao trabalho e te deixar durante umas horas.

 

Seis meses que me deram apenas uma certeza - és o melhor que me [nos] aconteceu na vida; és o melhor que eu e o pai fizemos! Que venham os próximos seis e os novos desafios!

 

 

 

 

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