"Estás grávida, então acabaram-se as viagens!"

13 Aug 2018

Foram várias as vezes que ouvi esta frase desde que contei que estava grávida. Raramente entro em discussões sobre este tema, limito-me a encolher os ombros porque não acho que ganhe nada em discutir opiniões pessoais com pessoas que, à partida, já não estão dispostas a aceitar argumentos que vão contra a sua opinião. Mas não podia estar mais em desacordo com esta frase. Se me disserem que a gravidez limita as viagens a minha resposta já será diferente. Depende da gravidez e depende do casal: cada uma é diferente e as limitações que surgem a cada grávida são diferentes. Se impede as viagens? Não de todo! Implica adaptações e flexibilidade da nossa parte, apenas isso! Mas o mais importante é sentirmo-nos bem com as nossas decisões e sermos felizes com elas! E se viajar nos faz felizes, viajemos! Se pelo contrário, viajar for um factor de stress vale mais não o fazer. 

 

Foram várias as questões que nos surgiram durante esta fase, mas conseguimos sempre adaptar-nos e ser felizes com as nossas decisões. Deixo aqui uma lista de todas as nossas preocupações durante a gravidez e de como as superamos:

 

#1 - A escolha de destinos

 

Quando começámos a pensar na hipótese de ter um filho surgiram várias questões e medos e, como viciados que somos em viagens, a possibilidade de continuar a viajar foi um deles. Não por acharmos que não seja possível viajar com crianças, muito pelo contrário, mas pela maior dificuldade em ter orçamento para viajar quando surgirem outros encargos, como pagar creche, etc.  Mas sendo algo que ambos queríamos muito, decidimos pôr os medos e as dúvidas de lado e avançar. Acreditamos que iremos encontrar uma solução quando chegar a hora. 

 

Sabíamos também que, por muito planeamento que se faça, nem sempre é quando queremos e que poderíamos estar bastante tempo a tentar engravidar sem conseguir. E nesse tempo o que faríamos em relação a viagens? Parar estava fora de questão e tínhamos marcado 3 semanas de férias no inverno, o que limitava as viagens na Europa [que consideramos mais seguro para esta fase]. Havendo a possibilidade de estar grávida nessa altura tivemos sobretudo duas preocupação: escolher um destino onde não houvesse Zika, pelos riscos para o bebé, e onde não fossem obrigatórias vacinas, que não poderia levar. Acabei por não ir grávida, mas voltei e, por isso, a nossa escolha de país foi importante na mesma!

 

No restante tempo de gravidez acabámos por ficar sempre na Europa mais por uma questão logística de tempo, da qual falarei mais à frente. 

 

#2 - Alimentação

 

Outra preocupação para uma grávida em viagem é sempre a alimentação. Para mim é um pouco mais fácil porque, felizmente sou imune à toxoplasmose, mas há sempre cuidados extra necessários. Uma das coisas que mais gostamos em viagem é experimentar comida nova e comemos muitas vezes em mercados de rua ou em sítios onde claramente a higiene não é a melhor. Se tivesse ido ao Sri Lanka grávida provavelmente não teria comprado comida no comboio e noutros locais onde comemos. Mas há sempre restaurantes mais turísticos, com condições de higiene muito mais aceitáveis e, desde que não comesse coisas cruas, o risco seria muito mais baixo. Apenas teríamos de aumentar um pouco o orçamento para a comida, não seria um problema de todo. Na Europa nem sequer nos surgiu essa questão.  

 

#3 - Planeamento das férias de acordo com o nascimento

 

O nascimento do nosso filho está previsto para o fim de Agosto. Decidimos que não queríamos gastar as férias todas antes dele nascer, para depois conseguirmos conjugar mais dias juntos com as licenças de paternidade. Decidimos então gastar no máximo 12 dias de férias até ele nascer. Considerámos também mais seguro não fazer viagens de avião a partir das 30 semanas [opinião nossa que nos deixa confortáveis, não baseada em mais nada], o que seria no início de Junho, mas ainda queríamos ter férias de praia mais para a frente, pelo que guardámos uma semana para meio de Julho, para irmos até ao Algarve e aproveitar os últimos dias de férias a dois. Entretanto tínhamos já uma viagem marcada para o final de Fevereiro, um fim de semana prolongado em Valência. Sobravam-nos apenas 5 dias de férias para os quais apenas colocámos hipóteses dentro da Europa por dois motivos: uma semana não justificaria ir até mais longe e pelo acesso a cuidados de saúde caso fossem necessários, já que iria viajar com cerca de 28 semanas.

 

Estas foram as nossas soluções de acordo com a nossa data de parto. Será sempre necessário ajustar a cada gravidez e aos dias de férias disponíveis por cada um. 

 

#4 - Limitações físicas da gravidez

 

Cada gravidez é diferente e as limitações sentidas por cada grávida também o são. Tipicamente o primeiro trimestre está associado a enjoos e sono; o segundo é o mais tranquilo, sendo o mais favorável para viajar; e no terceiro vem a barriga grande, o peso e muito cansaço. 

 

A minha gravidez teve fases um pouco complicadas. Por volta das 11/12 semanas comecei a ter bastantes dores na barriga e bacia que me faziam andar mais devagar que uma velhota de bengala. Fiquei muito limitada também no trabalho por ser muito físico. A viagem a Valência aproximava-se e estávamos um pouco receosos como ia correr pelas limitações físicas que sentia. Em último caso teríamos de conhecer a cidade toda de transportes. Felizmente na semana antes tudo melhorou e conseguimos ver tudo a andar e com bicicletas. Apenas sentia que ficava cansada mais rapidamente, mas fizemos muitas pausas nos jardins, com sestas ao sol e foi tudo muito tranquilo. 

 

Depois tive algumas semanas bem, até que surgiu uma dor lombar muito limitativa que me acompanhou até ter parado de trabalhar, juntamente com algumas contracções. Com medo que não me sentisse bem para viajar, fomos adiando a compra da viagem no final de Maio até cerca de 1 mês antes. Queríamos um destino mais de natureza e, se possívvel, com um pouco de praia. Malta tinha sido a primeira hipótese, mas o preço tornou-a impossível. Pensámos nos Açores mas seria sobretudo para fazer caminhadas e não era de todo a melhor altura. Madeira também foi uma hipótese mas os voos triplicaram de preço de um dia para o outro. Até que surgiu a hipótese de ir ou para Menorca ou para Ibiza. Escolhemos Menorca porque o alojamento em Ibiza e Formentera [onde iríamos uns dias se escolhêssemos Ibiza] estavam muito longe do nosso orçamento. Foi uma óptima opção, apesar do mar ainda não estar muito convidativo em termos de temperatura. Conseguimos fazer várias caminhadas tranquilamente, deixando algumas praias com acessos mais difíceis para uma próxima visita. 

 

#5 - As hormonas [que até facilitam este processo]

 

Tínhamos pensado, no início do ano, aproveitar muitos fins de semana para passear em Portugal uma vez que não íamos ter muitas férias. Mas na verdade aproveitámos muito pouco. Mesmo alguns fins de semana que tínhamos planeado sair, acabámos por decidir ficar por casa para pintar o quarto do Francisco, pôr papel de parede, ir comprar móveis e montá-los! Digam o que disserem as hormonas mudam-nos o foco! Não acredito que, como muita gente nos diz, vamos deixar de viajar, até porque o bichinho está cá a espreitar. Tenho ignorado as saudades que tenho de procurar uma viagem evitando ir ao computador e ler coisas sobre viagens. Mas a verdade é que tem sido muito mais fácil ignorá-las que antes e, neste momento, tenho muito mais vontade de ter o meu pequenino nos braços do que de viajar. Mas acredito que em poucos meses a inquietude das viagens regresse. Tenho a certeza que depois de conhecermos o nosso pequenino e nos adaptarmos à nova vida a 3, regressaremos às viagens mesmo que sejam dentro do nosso maravilhoso país! Há tanto mundo à espera de ser percorrido pelos pés pequeninos do nosso filhote!

 

 

 

 

 

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