As Maldivas na versão mochila às costas

27 Jun 2018

Já dissemos anteriormente que férias de resort nunca estiveram na nossa lista de viagens de sonho e a nossa única experiência confirmou isso mesmo. Quando se pensa em Maldivas é logo isso que vem à cabeça, mas a verdade é que nos últimos anos surgiu nas Maldivas a possibilidade de fazer viagens independentes em duas ou três ilhas habitadas por locais. Sabendo desta possibilidade, que dificilmente faríamos uma viagem daquele tamanho de propósito para as Maldivas e que estávamos tão perto decidimos incluí-las nos nossos planos.

 

Lemos em vários sítios que a viagem de avião do Sri Lanka para lá era barata, mas rapidamente descobrimos que não era assim tão barata. Não encontrámos viagens a menos de 200€ por pessoa o que nos fez pensar duas vezes. Descobrimos depois que, se comprássemos multiviagem Londres - Colombo - Malé e regresso a diferença era bem menor e foi o que fizemos. Ainda ponderámos bem quantos dias ficaríamos lá e para essa decisão contribuiu não só o facto de não gostarmos de estar muitos dias no mesmo sítio, mas acima de tudo o preço do alojamento nas Maldivas [com todas as taxas que são acrescentadas, cerca de 80-100€ a noite, marcado com vários meses de antecedência]. Porque, na verdade, não há uma versão low-cost das Maldivas, há uma versão menos cara!

 

Assim marcamos os nossos dias 3 dias na Maldivas, a primeira noite em Malé, onde chegaríamos depois da meia-noite, e mais duas noites na ilha de Maafushi, a mais conhecida ilha de turismo independente, que escolhemos por ser mais próxima de Malé e por ter barcos diários [os rápidos, o ferry público não trabalha às 6ªs feiras, dia em que regressávamos]. 

 

No aeroporto deparámo-nos com uma situação que nunca nos tinha acontecido antes - demorámos mais de uma hora a fazer o check-in e despachar as nossas duas mochilas para o porão porque à nossa frente haviam grupos de Maldivianos que levavam malas e caixas às dezenas e, em vez de despacharem a bagagem o mais rapidamente possível, escolhiam demoradamente qual a mala ou caixa que se seguia. Perguntámos depois o que se passava e explicaram-nos que era época de férias escolares e, como nas Maldivas é tudo importado e muito caro, eles deslocam-se nessa altura a países baratos como o Sri Lanka e a Índia e compram tudo o que podem. Vimos desde caixas de comida a trampolins.. Felizmente tínhamos chegado bem cedo ao aeroporto!

 

A viagem foi rápida e, à chegada, tínhamos um senhor do hotel à nossa espera [estava incluído no preço]. Apanhámos o ferry para a cidade e, chegados ao porto ele arranjou um táxi para nos levar até ao hotel. De manhã cedo tínhamos já o speed boat reservado. Poderíamos ter ido no ferry público que ficaria consideravelmente mais barato, mas só chegaríamos depois de almoço e queríamos aproveitar os 3 dias ao máximo. O senhor do hotel arranjou-nos um táxi que nos levou até ao porto. Até no porto a água era incrivelmente azul, o que já dava para antever o que aí vinha. 

 

Na chegada a Maafushi estavam homens de vários hotéis com uma espécie de carrinho de mão para levar as malas e, apesar de não termos dito que íamos chegar naquele barco, estava um do nosso hotel, o Narnia Maldives. Não é dos mais próximos da biquini beach mas em Maafushi tudo é perto. A ilha percorre-se a pé dum lado ao outro no máximo em 20 minutos. Não há veículos motorizados na ilha e todas as ruas são de areia. O hotel era pequenino mas simpático e ficava a menos de 5 minutos a pé da praia. 

 

Apesar de ser um país muçulmano ainda um pouco fechado, em Maafushi andei de calções e vestidos sem qualquer problema. A única coisa que senti é que alguns empregados só falavam com o Pedro, mesmo que fosse eu a fazer a pergunta. 

 

Como ainda era cedo não pudemos fazer logo o check-in mas deu para trocar de roupa e ir directos para o que nos levava ali - a praia!

 

O azul daquele mar é realmente indescritível. É tão incrível que, de cada vez que regressávamos à praia, ficávamos maravilhados como se fosse a primeira vez o que estávamos a ver! O primeiro dia foi passado praticamente sempre dentro de água. Só saímos da praia para almoçar, trocar dinheiro [apesar de dar para usar dólares em todo o lado, fica mais barato pagar em moeda local] e quando ficou de noite. 

 

Para o dia seguinte marcámos no nosso hotel uma excursão, que incluía 2 pontos de paragem de snorkeling, um ponto para ver golfinhos e almoço numa ilha deserta. Ficou 30$ por pessoa. De manhã ainda fomos um pouco até à praia porque só saíamos às 10.30. À hora marcada fomos para o hotel, ponto de encontro para a excursão. Fomos nós e uma rapariga de Singapura, pouco conversadora. Saímos num pequeno barco em direcção ao primeiro ponto de snorkeling. Saímos do barco num banco de areia onde tínhamos pé e nadámos até ao precipício que se formava entre o banco de areia e o abismo. Era tão profundo que até senti vertigens, algo que não pensei ser possível dentro de água. 

 

Vimos muitos peixes de todas as cores imaginárias e, acima de tudo, muitos corais mortos, o que nos deixou muito tristes com o rumo que a vida no mar está a tomar. Não vimos as famosas tartarugas nem o tubarão que o nosso guia disse ter passado por nós. Ao fim de um bom bocado voltámos ao barco e fomos para outro local para tentar ver tartarugas. Mais uma vez o mesmo cenário: muitos peixes, muitos corais, a maioria mortos. Vimos uma tartaruga mas muito ao longe. Seguiu-se o ponto dos golfinhos e aí sim, vimos às centenas. Acompanhavam o nosso barco e saltavam por todos os lados. Senti-me uma criança de tão encantada e feliz com o cenário à minha volta. 

 

Dirigimo-nos depois para uma das inúmeras ilhas desertas. Ao aproximarmo-nos da ilha, íamos numa zona muito pouco profunda e conseguíamos ver raias a fugir do barco, com tal velocidade e graciosidade que pareciam voar! A ilha foi mais um momento que me deixou triste e a pensar no que estamos a fazer ao nosso planeta. A água era de um azul ainda mais incrível, a areia tão branca que parecia farinha, mas mais de metade da superfície da pequena ilha era lixo. Garrafas de vidro e de plástico, sacos, chinelos, embalagens de plástico. Tudo coisas que já estiveram no mar e que vão voltar ao mesmo assim que a maré encher um pouco. Uma pequena amostra de como estão os nossos oceanos. Uma pequena amostra de como o ser humano está a deixar a sua marca no planeta da pior forma..

 

Almoçámos no barco porque o guia se esqueceu de levar chapéus de sol e estivemos por ali algum tempo a tomar banho e a tirar fotos. No final voltámos a Maafushi, onde chegámos por volta das 14.30, o que ainda nos permitiu aproveitar a biquini beach até anoitecer. 

 

Para o último dia estivemos um bocado a decidir o que fazíamos: se ficávamos na ilha só a fazer praia ou se fazíamos uma nova excursão. Tínhamos uma condicionante: só tínhamos 39$ e moeda local para uma refeição. As excursões que víamos nos vários hotéis da ilha eram todas 25$ por pessoa e estava a chegar a hora de saída de todas. Vimos uma que dizia ser 20$ por pessoa e fomos logo lá, mas afinal o preço não incluía a taxa de 5$ cada um. Saímos um pouco desiludidos. Já nos tínhamos afastado quando nos lembrámos que se fossemos não precisávamos de almoçar porque estava incluído e que podíamos pagar o resto em moeda local e assim foi. Chegámos mesmo à hora de sair para o barco e fomos. Desta vez num barco bem maior e com um grupo de cerca de 20 pessoas. E foi o melhor que fizemos.

 

Os guias desta excursão eram mais profissionais e mostraram-nos muito mais coisas. Vimos várias tartarugas mesmo ao pé de nós, um peixe balão, ainda mais peixes que no dia anterior. Só os golfinhos é que foram em menos quantidade do que no dia anterior. Na ilha deserta repetiu-se o cenário do lixo. Desta vez fizemos 3 paragens para snorkeling, uma delas numa zona de peixes palhaço - o Nemo Point. O único ponto menos positivo desta excursão foi cerca de metade das pessoas serem daqueles asiáticos que não respeitam nada nem ninguém. Pisavam os corais, apesar das indicações que nos deram para não lhes tocarmos, tentaram apanhar peixes com sacos de plástico e atropelavam quem quer que estivesse no caminho para conseguirem chegar o mais perto possível das tartarugas, ao ponto de elas fugirem logo. Acredito que tivemos azar e, se repetíssemos, seria esta excursão que escolheríamos de certeza. 

 

Voltámos a Maafushi e fomos dar um último mergulho na praia. Sentimo-nos altamente pobres quando andámos a contar trocos e a fazer contas nos menus dos restaurantes com as taxas para ver o que podíamos comer: uma sandes de atum com queijo, que trazia batatas fritas e um ovo cozido para os dois! Até o senhor do restaurante nos olhou de lado! Pobres mas muito felizes!

 

Tomámos um banho na casa de banho pública do hotel e às 17.00 lá estávamos a apanhar o speed boat para o aeroporto e prontos para regressar a casa. Nota mental: quando se vai fazer 3 voos, um deles de 12 horas, convém, ao fazer snorkeling pôr muito protector no traseiro! Sim, fiquei com um grande escaldão o que não foi de todo agradável! 

 

As Maldivas são sem dúvida um destino caro, mas que vale mesmo muito a pena conhecer! E até diria que, sem esforço, conseguia ficar lá mais um dia ou dois! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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