Sri Lanka, de Colombo a Sigiriya e escaladas inesperadas

1 Jan 2018

O segundo dia no Sri Lanka começou bem cedo. Às 5.30 já estávamos a apanhar um tuk-tuk para a estação de comboio. Depois de umas compras de comida na rua, lá seguimos para a linha onde já se encontrava o nosso comboio, com pessoas lá dentro mas sem luz nenhuma. Sentámo-nos à espera que a luz fosse ligada para procurarmos os nossos lugares mas apareceu um polícia que nos encaminhou para a carruagem onde fomos ajudados por um senhor que não falava, só apontava. A luz foi ligada logo de seguida e o senhor que nos ajudou mostrou um papel que falava de uma escola de surdos, e outro com uma lista de nomes, respectivos países e donativo que tinham dado. Tudo de 1000 LKR para cima. No momento sentimo-nos mal e demos 500 (2,75€), apesar de termos achado que era muito. O senhor sorriu e agradeceu-nos mesmo muito, como se nunca lhe tivessem dado tanto, mas não nos deixou pôr o nosso nome na lista. Depois de pensarmos um pouco chegamos à conclusão que as pessoas devem dar 100 e eles acrescentam um 0 para nos fazer sentir a pressão. 5000 já seria demais. Resultou com aquele, não voltamos a cair. 


À hora marcada o comboio iniciou a marcha. Lá estávamos nós na máquina de lavar roupa, a lutar para não sair do banco, especialmente quando arrancava em cada estação. Ao fim de uns 40 minutos sentimos um safanão e o comboio parou uns metros depois, mas desta vez não estávamos numa estação. Começamos a achar estranho quando vimos muitos locais a saírem e andarem na linha. Espreitámos pela janela e lá estava: um camião todo desfeito na linha e uma carrinha virada de lado. Aparentemente foi o nosso comboio que bateu no camião, mas nunca tivemos a certeza. Na linha à nossa esquerda passavam, de vez em quando, comboios tão cheios que das portas saíam mais de 10 homens pendurados, agarrados ao que lhes fosse possível. Ao fim de uma hora o comboio arrancou finalmente. Passámos por uns 3 ou 4 comboios atolados de gente, que esperavam pelo desimpedimento da linha para poderem prosseguir a sua marcha. 
 

Menos de 10 minutos depois parámos numa estação para só voltarmos a andar 3 horas depois. Segundo nos explicou um senhor que ia no banco à nossa frente, a locomotiva tinha avariado com o embate e foi preciso substituí-la. Segundo ele foi o primeiro acidente de comboio a que assistiu. Foi este senhor, o Parakrama, que nos falou pela primeira vez dos nomes e palavras portuguesas no Sri Lanka. Também nos convidou a jantar em sua casa quando regressássemos a Colombo e, quando lhe enviámos um email a explicar que já não tínhamos lá voltado, nos respondeu com a maior simpatia a convidar para, num regresso, ficarmos numa das casas dele, tendo enviado fotos das casas e tudo. 
 

No comboio arriscámos comprar comida que os locais vendiam em cestas de vime. Primeiro provámos umas bolinhas fritas, meio cor de laranja, que sabiam a milho e tinham as folhas verdes que mais tarde descobrimos serem as folhas do caril e que são usadas em todas as comidas, sem excepção. Eram boas e compramos várias vezes. Experimentámos também amendoins picantes que também eram muito bons.
 

Chegámos a Habarana às 14.30 quando era suposto termos chegado às 11.15. Demoramos quase uma hora de tuk-tuk de Habarana a Sigiriya porque, além da meia hora de viagem o senhor não conhecia a nossa guesthouse mas recusava-se a seguir as minhas indicações do gps. Preferia perguntar e perdeu-se várias vezes. Descobrimos então que a guesthouse que escolhemos, a New Choona Lodge, não foi a melhor opção porque estava longe de tudo e os tuk-tuks cobravam-nos mais por ser New Town e não centro de Sigiriya. 
 

Perguntámos à família da guesthouse onde podíamos comer àquela hora e disseram-nos que a 300 metros havia restaurantes. Andámos e andámos mas tudo o que aparentemente podia ser um restaurante estava fechado àquela hora. Decidimos ir até à entrada da Lyon Rock porque falava em restaurante. Havia apenas uma cafetaria com chamuças, rolos de vegetais e galinha e sumos naturais que serviu lindamente para matar a fome. 
 

Tínhamos saído apenas com o objectivo de comer, por isso fomos de chinelos. Os nossos planos para essa tarde eram visitar os templos de Dambulla mas, com o atraso do comboio, estava fora de questão. Depois de comer olhámos para o guia para saber o que havia mais para fazer ali além da Lyon Rock. Descobrimos que a pouco mais de 1km dali havia um outro ponto de interesse, a Pidurangala Cave & Rock Temple, e dizia que era um bom sítio para assistir ao pôr do sol. Achámos que era uma boa opção e pusemo-nos a caminho. 
 

Não foi. Aliás, foi uma péssima opção porque fazer aquilo de chinelos é a maior asneira possível. Além dos chinelos, eu ia de calções e camisola de alças pelo que tive de atar um lenço às pernas e usar outro a tapar os ombros. A primeira parte, até à gruta foi relativamente tranquila, embora estivesse um calor húmido que dificultava um pouco a tarefa. Depois seguiu-se uma enorme escadaria. A vegetação tornava-se mais densa e o calor cada vez mais abafado. Ignorei as regras e atei os lenços todos à cintura porque não aguentava o calor. Os pés começavam a doer e as bolhas a aparecerem.


A certa altura aparece um homem que nos manda ir rápido porque o sol estava quase a pôr-se. Acelerámos o passo até que nos deparamos com rochas para escalar. Literalmente escalar! Ainda fomos quase até ao topo, num ponto onde víamos Sigiriya na falha formada entre duas rochas. Mas foi aqui que eu desisti. As rochas eram cada vez mais afastadas, a rocha principal era muito lisa e arredondada, sem qualquer agarra. Senti que talvez conseguisse subir, embora com muita dificuldade por causa dos chinelos, mas descer ia ser um grande problema graças às vertigens. O Pedro ainda tentou mas os chinelos escorregavam. Claramente não estávamos preparados para aquilo, nem psicologicamente nem a nível de equipamento. Contávamos ter de subir um pouco, mas nada como o que nos deparámos. Com muita pena não chegámos ao topo, mas decidimos descer antes que escurecesse porque também não tínhamos lanternas connosco. 
 

Aprendemos uma coisa, os ténis seriam o nosso calçado até chegarmos às praias!
 

À saída apanhámos um tuk-tuk para a guesthouse que foi dos mais difíceis de negociar, até porque eram a nossa única opção e eles sabiam disso. Acabámos por jantar na guesthouse já que não havia nada nas proximidades, um pouco a medo porque não havia nem menu nem preços. Não correu muito mal e a senhora cozinhava mesmo muito bem. 


Já a noite, que começou bem cedo ainda com efeitos do jet lag, não foi grande coisa, com almofadas que pareciam um saco de boxe de tão rijas que eram e muitos insectos a fazerem-nos companhia. 
 

Mas no dia seguinte esperavam-nos alguns dos monumentos que mais prometiam do Sri Lanka, não era uma noite mal dormida que nos ia estragar os planos!

 

 

 

 

 

 

 

 

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