Hoi An, a cidade onde o sol não nos sorriu

9 Apr 2017

Saímos de Phong Nha às 4 da manhã para a nossa primeira experiência num autocarro nocturno. O destino final era Hoi An, mas como não há autocarros directos, tivemos de parar em Hue, que com alguma pena não chegámos a conhecer. 

 

O autocarro era completamente diferente de todos os que já tínhamos andado. São 3 filas de dois andares, com um mini corredor entre cada fila. Os sapatos tinham de ir dentro de um saco de plástico que nos era dado à entrada. Os bancos eram uma espécie de cama com um encosto semi-deitado e eram estranhamente confortáveis. Até um cobertor tinha. Quando entrámos o autocarro tinha luzes azuis e vermelhas, extremamente asiáticas, que o condutor fez questão de manter ligadas durante algum tempo. Felizmente desligou-as e ainda consegui dormir até ser de dia ou até chegarmos à primeira cidade onde pôs a mão na buzina para não mais a tirar.

 

Chegámos a Hue por volta das 7 e teríamos o autocarro para Hoi An às 8. Este autocarro era horrível. Era velho, cheirava mal e tinha os bancos todos avariados. E para piorar, a meia hora de chegarmos, ao passar numa lomba a alta velocidade avariou e tivemos de esperar por outro. Pelo menos o novo era bom.

 

Chegámos a Hoi An já perto das 13.00 e, após uma pequena caminhada lá descobrimos o Hotel. Estávamos cheios de fome e resolvemos almoçar lá uma pizza. Lição do dia: não pedir comida sem ver antes o preço! O hotel tinha bicicletas gratuitas para os hóspedes e resolvemos aproveitar para ir até à praia que era mais ou menos a 4 km. O percurso era fácil e a direito, não fossem as bicicletas uma velharia, todas desengonçadas e com muita falta de óleo. Mas chegámos à praia, muito fraquinha para dizer a verdade. Negociámos as cadeiras de praia com consumo de bebidas e ficámos até sermos mandados embora pelo vento e nuvens negras.

 

À noite fomos a pé até à cidade e tivemos uma surpresa muito agradável. É uma cidade pequenina, com um centro histórico onde não passam carros nem motas à noite, cheio de casas bem antigas e com todas as ruas enfeitadas de lanternas coloridas. É verdade que a cidade é muito turística, mas quando isso significa ruas limpas e cuidadas será assim tão mau?! Todas as noites há mercados de rua e muita muita gente nas ruas. 

 

No dia seguinte acordámos cedo e negociámos logo uma mota para os dois dias seguintes. Estava sol, o que por lá é raro acontecer logo de manhã, e um calor insuportável. Fomos conhecer o centro histórico de dia, que, apesar de diferente da noite, não nos desiludiu. Comprámos o bilhete para entrar em 5 das 20 e tal atracções da cidade e começamos pela mais famosa, a ponte japonesa. Assim que saímos começou a chover, primeiro uns pingos que até foram bem vindos para nos refrescarmos um pouco, mas foram aumentado, cada vez mais e maiores. As ruas encheram-se de vendedores com as suas bicicletas cheias de impermeáveis coloridos. As ruas, que à noite eram coloridas pelas lanternas, tornaram-se verdes, azuis, amarelas. A vida continuou igual. E nós continuámos a nossa visita, de casacos vestidos e pés molhados.

 

Almoçámos no mercado, que é coberto, o que não é para todos os estômagos, mas na verdade comemos bem. Mas a parte mais gira do mercado é na rua, onde se vende deste fruta a galinhas vivas. A chuva não dava tréguas e acabámos por ir descansar um pouco no hotel e comer frutas diferentes que tínhamos comprado no mercado. À tarde a chuva abrandou um pouco e fomos conhecer os campos que estão entre a cidade e a praia e a praia mais longe, onde vimos os barcos típicos daquela zona.

 

Para o dia seguinte tínhamos planeado acordar bem cedo para chegar a My Son, uns templos hindus muito antigos que são a cerca de 50 km de Hoi An, antes de todas as excursões. Mas como o tempo estava muito incerto e fazer 50 km de mota com chuva não parecia uma ideia agradável nem pusemos despertador. Acordámos com a luz, por volta das 7.30 e, como não chovia, arriscámos. 

 

A zona dos templos é rodeada por montanhas que, com nuvens carregadas a tapar os seus topos, criavam um ambiente mágico. Ali, olhando para a destruição dos templos, é impossível não sentir uma mágoa pela maldade do homem. Estes templos, a maioria do século XIII, foram amplamente destruídos pelos americanos durante a guerra. Só porque era um local de culto das populações ali à volta. Só pelo prazer de estragar. Nunca vou compreender.

 

Ainda choveu um bocadinho, o que permitiu ver os templos sem 200 pessoas à volta de cada um mas pelo menos nas viagens não apanhámos chuva. À tarde, de volta a Hoi An e sem muito para fazer porque o sol continuava escondido e praia nem pensar, andámos pelas ruas da cidade. Bebemos cafés vietnamitas com tempo para os deixar pingar, gota a gota, e beber com tempo para os apreciar.

 

Resolvemos dar a voltinha de barco, vimos o preço escrito num dos muitos barcos e negociámos a partir daí. Escolhemos o senhor com a melhor gargalhada, o único que nos sorriu sem medos. Claro que acabámos no pior barco, mas a volta é a mesma dos outros e aquela gargalhada ainda hoje ecoa na minha cabeça.

 

Seguiu-se a pior noite da viagem mas isso fica para o próximo post! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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