Ha Long Bay, a baía onde onde dragão afogou as minhas expectativas

26 Mar 2017

Em todas as minhas pesquisas antes de ir para o Vietname sempre achei que a Ha Long Bay seria dos sítios mais maravilhosos onde iria neste país. Todos a descreviam como um sítio mágico. Ha Long significa "onde desceu o dragão" e reza a lenda que esta baía foi criada quando um dragão correu das montanhas para o mar e foi criando vales com a sua cauda, que mais tarde foram preenchidos de água. Foi mais ou menos assim que me senti nesta excursão, a cauda do dragão criou buracos nas minhas expectativas e que depois se afogaram na água que os preencheu. Não que o sítio em si não fosse espantoso, porque é. Mas não para ser visitado da forma como nós o visitámos.

 

A ideia de fazer um cruzeiro de dois dias e uma noite na Ha Long Bay é aparentemente bastante romântica e daquelas coisas a fazer sem qualquer dúvida. Mas basta investigar um pouco para se perceber que não é assim tão mágico. Em primeiro lugar porque os dois dias não são bem dois dias. Chegamos ao barco na melhor das hipóteses às 13.00 (que já foi mais para as 14.00) e saímos antes das 13.00 do dia a seguir, portanto nem 24 horas são. Depois temos duas opções, ou pagamos bastante e sabemos que temos um cruzeiro de luxo, o que estava completamente fora das nossas possibilidades, ou escolhemos os cruzeiros de gama mais baixa que, segundo muitas opiniões que li na Internet, são todos iguais independentemente do preço. 

 

Decidimos deixar a compra para Hanoi, o que se revelou uma tarefa quase impossível. Há mil lojas a vender a mesma excursão. Todas nos apresentam o exactamente o mesmo cruzeiro com preços completamente diferentes, desde 60 a 130 dólares por pessoa. Quando perguntamos porque varia tanto os sítios onde vendem mais caro dizem que os outros nos vão enganar, que chegamos lá e é outro barco. A sensação que tínhamos no momento é que todos nos iriam enganar, independentemente do que pagássemos. E viemos a confirmar isso mesmo. Decidimos que íamos entrar numa última loja e comprar lá mas depois de negociar bem. O esquema é tão mal feito que o tipo que nos atendeu, depois de ter dito que a mais barata que tinha era 90 dólares e nós dizermos que o máximo que podíamos pagar eram 60, pôs o dedo na testa e diz "acabei de receber informação que há vaga num barco a 65 dólares". Seguramente a informação foi por telepatia, daí o dedo na testa, porque ele não mexeu nem no computador, nem no telemóvel! Aceitámos sabendo de antemão que não iria ser um sonho, mas naquele momento já só queríamos ir. Entre conversões e taxas inventadas à última hora pagámos cerca de 145 € os dois. Supostamente incluía transporte, as refeições, duas horas de cerveja à descrição (as restantes bebidas seriam pagas à parte), kayaking, visita a uma gruta e uma aula de culinária. 

 

No dia seguinte lá seguimos de autocarro até ao porto. Pelo caminho parámos numa loja para turistas, com preços altamente inflacionados e com estatuetas maiores que nós que podiam ser enviadas para qualquer parte do mundo. Muito útil. Chegámos ao porto onde aguardámos pelo barco que nos levaria ao nosso. Fomos primeiro deixar um grupo a um barco completamente podre e ficámos um pouco expectantes como seria o nosso. Parecia um pouco melhor. Saltámos de um barco para o outro e subimos ao restaurante. Rapidamente percebemos que não havia lugar para toda a gente nas mesas do almoço. Tivemos de passar para outro barco, que estava agarrado ao nosso, por cima de um telhado com aspecto altamente frágil. O almoço até foi agradável mas tínhamos a sensação que algo não ia correr bem. Talvez por vermos pessoas a discutir com o responsável do nosso grupo. Depois de voltarmos ao nosso barco vamos ter com o responsável e dizemos que ainda não temos quarto. Ele fez uma cara de aflito e diz que não há quartos, mas que depois do kayaking vai haver. Questionamos se ele vai fazer aparecer um por artes mágicas ou se vai atirar alguém à água. Ele diz que vamos passar para outro barco.

 

Tentamos que nada disto nos estrague a viagem e fomos para o convés apanhar sol e ver a paisagem que de certa forma nos consegue fazer esquecer um pouco tudo o que está a acontecer. O kayaking foi bastante giro e apaziguador. Mas acabou. E quando acabou disseram-nos que íamos para o outro barco: aquele muito podre onde tínhamos deixado o primeiro grupo. Pousámos as coisas no quarto. Mau, mas pelo menos era um quarto. E fomos assistir a um belo pôr do sol! Sim, tivemos a sorte de ser brindados com sol, o que é raro nesta altura do ano.

 

Fomos até ao quarto onde decidi tomar banho. Foi um banho difícil. Além de a água ser só um fiozinho, um homem gritou "dinner" umas 10 vezes enquanto batia à porta. Cheguei a temer que ele arrombasse a porta e me levasse por uma orelha até à mesa do jantar, tal era a violência. A comida era muito fraca e o jantar foi completamente a correr. Tentámos comprar cerveja mas disseram que não tinham bebidas para vender, nem sequer água. Despacharam-nos a grande velocidade para a festa no convés. Uma festa que a única coisa que tinha era um barril de espuma, nem cerveja saía de lá. Não havia música. Não havia luz. Nada de nada. E quando olhámos para o relógio eram nada mais nada menos que 19.20! Valeu a companhia mas com o frio que estava eram 22 fomos para a cama. O colchão parecia uma tábua de madeira. Cortaram-nos a água à noite. Nem para o autoclismo funcionava. Acordei umas dez vezes durante a noite. Acordei às 7 e fui ao convés ver a paisagem. Fui praticamente expulsa pelo senhor que andava a limpar aquilo. Voltei para a cama e dormi um pouco mais. O pequeno almoço foi anunciado com mais gritos e batidas na porta.Voltou a água, deixámos de ter luz. Tivemos então direito à aula de culinária: enrolar crepes em que tínhamos de molhar a mão numa taça com água, sempre a mesma para todos. O que vale é que eram fritos depois. Mais uma vez gritos para o almoço e ainda estávamos à mesa quando apareceu o nosso responsável a mandar-nos ir buscar a mala e ir para o barco que nos levava ao porto. 

 

E foi esta a nossa experiência. Grutas nem vê-las. E o resto foi o que foi. Aprendi duas lições aqui. Uma foi a confiar nos meus instintos. Tudo me dizia para não fazer a excursão. Para ir até Cat Ba, ficar num hotel por lá e dar uma volta de barco. Mas quis acreditar no sonho de dormir num cruzeiro, sem querer gastar uma fortuna e deu nesta experiência. A segunda lição foi esquecer excursões no Vietname. Eles são uns aldrabões e fazem-se cobrar demasiado bem. Há opções, por isso nada como pesquisar um pouco e viver a experiência por nós.

 

Mas a paisagem é mágica e vale muito a pena. Voltaria lá sem dúvida, só iria de outra forma!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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