Alsácia com um bebé - as nossas opções e dicas

18 Jan 2019

A minha prenda de anos para o Pedro tem sido sempre uma viagem, geralmente em Dezembro, e várias vezes para destinos com mercados de Natal, que ele adora e eu também! Nos últimos dois anos não calhou e, como já tinha saudades, decidi que a prenda deste ano seria uma escapadinha a uma cidade com um bom mercado de Natal, com a condicionante que teríamos um bebé de 4 meses connosco. Sendo esta a prenda de anos do Pedro, fui eu que pesquisei e organizei tudo. Claro que já tínhamos falado várias vezes de viajar e naquilo que considerávamos importante para uma primeira viagem e tive isso em conta.

 

O destino - voo directo e não muito longo!

 

Tendo decidido que iríamos a um mercado de Natal foi por aí que comecei a pesquisa. Descobri que a Alsácia tem dos mercados de Natal mais famosos da Europa e adorei as imagens, portanto lá fui pesquisar os voos para esta zona. A Alsácia é uma região de França situada junto às fronteiras com a Alemanha e a Suiça. Ao longo da história tem sido muito disputada entre França e a Alemanha, tendo pertencido várias vezes aos dois países. A última troca foi no final da 2ª guerra mundial, mantendo-se sob domínio Francês desde aí. Com tanta troca entre os dois países, culturalmente, a Alsácia tem muitas influências de ambos os países. "É muito francesa para a Alemanha e muito alemã para a França.” Talvez a frase que melhor a descreve a Alsácia.

 

Voar directamente para Estrasburgo não é possível, pelo menos nas datas que queria, e fazer escala com um bebé de 4 meses para uma viagem de 3 dias estava fora de questão. Então havia duas possibilidades próximas do nosso destino: Baden-Baden, na Alemanha, a cerca de 60 km a norte de Estrasburgo ou Basel, na Suiça, a cerca de 60 km a sul de Colmar. Os voos para Basel eram consideravelmente mais baratos portanto essa parte ficou decidida.

 

 

Pontos de interesse e como nos deslocarmos entre eles 

 

 

Numa pesquisa rápida encontrei como pontos de interesse na Alsácia [de sul para norte]:

 

  • Mulhouse

  • Eguisheim

  • Colmar

  • Kaysersberg-Vignoble

  • Riquewihr

  • Ribeauvillé

  • Castelo de Haut-Kśnigsbourg

  • Obernai

  • Estrasburgo  

 

Da ideia inicial de uma viagem de cidade, passou a uma viagem a uma região. Sabia que em dois dias e meio, numa primeira viagem com o nosso bebé e ainda para mais no Inverno, com o sol a pôr-se por volta das 16.30, seria impossível visitarmos todos estes pontos. Mas, sem dúvida, que a forma de conseguirmos visitar o máximo possível, ao nosso novo ritmo, exigia um meio de transporte pessoal. Portanto tínhamos de alugar um carro! Mesmo sem bebé e com mais tempo parece-me, sem qualquer dúvida a melhor forma de conhecer a Alsácia, em especial para quem quer fazer a rota dos vinhos, um dos percursos turísticos mais famosos da Alsácia. 

 

Independentemente do destino, parece-me que ter carro [ou alojamento bem central] num destino com muito frio facilita bastante a amamentação e a troca de fraldas, que na rua são impensáveis. Também o fizemos em restaurantes e cafés mas nenhum com condições para tal, nós é que nos desenrascamos como pudemos. 

 

Alugar carro no aeroporto de Basel

 

Foi nesta parte, a de alugar o carro, que quase desisti da viagem! Antes de comprar o voo tinha espreitado os preços e andavam por volta dos 110€ para os 3 dias. Quando fui para fazer a reserva não me aparecia nada a menos de 280€ o que já tornava a viagem demasiado cara para aquilo que pretendíamos gastar nela. Mesmo assim reservei mas a reserva ficou pendente porque iria sair do país do aluguer [Suiça] e isso implicava confirmação da rent-a-car. As outras hipóteses já passavam dos 350€ e fiquei seriamente assustada. Até que comecei a colocar a hipótese de irmos até Mulhouse de transportes e alugar carro na cidade, o que implicaria uma logística muito difícil, especialmente no regresso em que tínhamos o voo às 7.00.

 

Foi ao pesquisar por Mulhouse que compreendi a asneira que estava a cometer! O Aeroporto de Basel é, na realidade em França, muito próximo da fronteira e é dividido entre os 3 países que fazem parte das fronteiras. Então, se a pesquisa fosse feita para o EuroAirport Basel-Mulhouse-Freiburg, França, os preços dos carros eram na ordem dos 110€, para o mesmo aeroporto mas na Suiça, praticamente triplicavam. Fica a dica para quem quiser alugar carro para ir à Suiça!

 

Levar cadeira auto (ovo) ou alugar

 

Esta foi uma das questões que decidi deixar pendente para os dois decidirmos! Alugar o ovo à rent-a-car ficava em quase 50€. Levar o ovo no avião é gratuito [pelo menos na Easyjet podem levar-se duas peças gratuitamente]. Nós, mesmo em Portugal, raramente usamos o carrinho. Somos adeptos acérrimos de Babywearing e usamos praticamente sempre a mochila para transportar o Francisco. As raras excepções em que usamos carrinho são para ir a restaurantes porque ele ainda não fica sentado nas cadeiras de refeição. Como não nos apetecia gastar os 50€ e achámos que podia ser útil para as refeições optámos por levar o carrinho com o ovo, embrulhado em película protectora de móveis que encontrei num dos passeios no bairro, dentro de um saco do Ikea. Isto porque sabemos como são tratadas as malas nos aviões e acreditamos que os carrinhos não serão melhor tratados. A companhia responsabiliza-se por estragos mas não por riscos e o carrinho não foi assim tão barato. 

 

O ovo deu jeito porque usámos para o carro. Já a estrutura só saiu do porta bagagens no aeroporto e só até à recolha/entrega da bagagem. Felizmente não pagámos para a levar. Nas refeições estávamos sempre longe do carro, portanto comíamos à vez, com ele ao colo!

 

Conselho para o ovo: não o deixem no carro à noite! Deixámos na primeira noite e parecia que estava a pôr o Francisco num cubo de gelo! Aprendemos da pior forma!

 

Alojamento  

 

Em relação ao alojamento há muitas opções de hotéis tanto em Colmar, como em Estrasburgo a preços típicos de cidades Europeias. Como viajamos sempre com orçamento limitado, damos quase sempre preferência a alojamentos que permitam aquecer comida e jantar em casa. Ainda para mais com o Francisco, sentimo-nos mais à vontade num local onde o choro dele a meio da noite não incomode as pessoas do quarto ao lado.

 

Percebi então que casas/apartamentos só fora das cidades, mas como tínhamos carro não havia problema. Optámos por uma casinha numa pequena vila, Issenheim. Não era a melhor localização para visitar as cidades/vilas que queríamos, mas ficava bem mais perto do aeroporto, o que, com o voo às 7.00 era sem dúvida uma mais valia.

 

A casa tinha todas as comodidades e os donos, um casal de 70 anos, eram amorosos! Arranjaram uma cama de grades e um alguidar muito parecido com uma banheira de bebé! Só tivemos pena de não falar Francês para conseguirmos comunicar mais com eles. 

 

Proteger o bebé do frio e das viroses

 

A parte do frio foi aquela que pensámos mais por serem temperaturas a que não estamos habituados. As previsões eram de máximas a rondar os 3, 4º e mínimas de -1, -2º. Sabíamos que iríamos usar maioritariamente a mochila, mas de qualquer forma queríamos um agasalho que permitisse a utilização quer na mochila, quer no carrinho. Sabíamos também que, nestes países, as temperaturas na rua são muito frias, mas nos interiores são sempre muito quentes, portanto teria de ser um agasalho bem quentinho mas com roupa leve por baixo.

 

Consideramos duas hipóteses: uma capa de babywearing que se coloca por fora da mochila ou um daqueles fatos completos para lhe vestir. Decidimo-nos pela capa e foi sem dúvida a melhor opção. Primeiro porque o fato implicava tirá-lo da mochila e enfiar pernas e braços para vestir, coisa que ele detesta. Com a capa, entrávamos num sítio e simplesmente levantávamos a parte de baixo se fosse uma coisa rápida, ou tirávamos mesmo sem qualquer dificuldade quando ficávamos por mais tempo. Depois porque a capa fazia uma barreira ao vento na cabeça e ele nunca ficou sequer com as bochechas e o nariz frio, ao contrário dos nossos que gelavam. Ele estava muito mais à vontade para se mexer sem parecer um boneco michelin como vimos tantas crianças por lá. E por fim, um fato iria ser usado naqueles dias e nunca mais, já que este pequeno cresce de dia para dia e cá não faz assim tanto frio; a capa vai servir durante mais alguns anos e adapta-se tanto ao babywearing como ao carrinho. 

 

Quanto às viroses típicas da época tivemos sempre o cuidado de evitar multidões. No aeroporto fomos sempre para cantinhos isolados, usámos as prioridades sempre que possível [em Lisboa, porque aparentemente ter um bebé na Suiça não dá prioridade no aeroporto]. E neste aspecto a mochila é também uma mais valia porque com ele colado a nós é muito mais fácil fugir das pessoas que tossem ou espirram e evitar que lhe toquem, em especial nas mãos. Claro que não o podemos proteger de tudo e, mesmo em casa, com saídas esporádicas já teve duas viroses. Há coisas que não conseguimos impedir que aconteçam, mas acima de tudo é usar o bom senso! A verdade é que não ficou doente e, isso sim, é o mais importante! 

 

Gerir as expectativas - o ritmo de viagem mudou

 

Sabíamos que não iríamos conseguir visitar todas as cidades em 2 dias e meio, especialmente numa primeira viagem com um bebé! Decidimos pôr de lado, logo à partida, Mulhouse e Obernai e começar por visitar Colmar na primeira tarde, para o segundo dia iríamos às vilas mais pequenas e, se necessário, regressaríamos a Colmar e para o último dia, Domingo, deixaríamos Estrasburgo porque lemos que ao Domingo, nas cidades mais pequenas, estava tudo fechado.

 

Para já posso contar que fizemos boas opções e que visitámos mais do que contávamos. No próximo post conto tudo sobre a nossa viagem e sobre cada cidade/vila e os respectivos mercados de Natal!

 

Além de visitar, as viagens agora têm outro propósito: passar tempo de qualidade em família! E sem dúvida que esse objectivo foi conseguido! O Francisco também sentiu isso e esteve sempre bem disposto e curioso com tudo o que o rodeava. Já que escurecia cedo, aproveitámos os finais de tarde para brincar com ele em casa e lhe dar toda a atenção do mundo e o certo é que se viu uma evolução enorme nestes três dias: conseguiu desencostar-se sozinho várias vezes e descobriu que tem pés! Está um crescido!

 

Pequena curiosidade: descobrimos já lá que a cegonha é o símbolo da Alsácia e é precisamente de lá que as "cegonhas trazem os bebés" segundo as histórias infantis. O nosso não veio de lá, mas foi a sua primeira viagem!

 

 

 

 

 

 

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