As praias do Sri Lanka - da tempestade à bonança

22 May 2018

Para os últimos dias no Sri Lanka deixámos as praias. Escolhemos o sul por serem aquelas em que, supostamente, o tempo estaria melhor naquela altura do ano. 

 

Saímos de Udawalawe logo depois do pequeno-almoço, para uma viagem que implicaria 3 autocarros e algumas horas. A primeira viagem eram apenas 10 km, até Embilipitiya, onde trocámos para um autocarro que nos levou até Matara e, por fim, o último que nos deixou em Kabalana, onde tínhamos reservado a noite, no Kabalana Villa. As trocas foram feitas com muita chuva, assim como a chegada a Kabalana. O hotel era a cerca de 1 km da estrada principal, caminho que fizemos com chuva cada vez mais intensa. Já nem os impermeáveis nos valiam. Chegámos ao hotel a meio da tarde, com fome e completamente encharcados. 

 

Nesse dia a chuva não abrandou pelo que nem saímos do hotel. O hotel até tinha boas condições, apesar da localização não ser a mais central. Decidimos ficar lá o resto das noites, mas desta vez não conseguimos negociar o preço O grande defeito era mesmo o dono, o Mr. Silva, que, ao tentar ser simpático, se tornava extremamente chato e inconveniente. Como nesse dia não saímos, fizemos as refeições no restaurante do hotel. Mas nunca estivemos sozinhos. O dono punha-se a menos de um metro de nós, olhando-nos fixamente e, assim que provávamos a comida, perguntava logo se estava boa. Mas depois não saía de lá, continuava apenas a olhar para nós. Este desconforto aliado à comida não ser nada de especial fez com que não comêssemos lá mais nenhum dia.

 

No dia seguinte, a tempestade dos últimos dias supostamente já teria passado. Realmente chovia menos, mas ainda estava longe de se puder fazer um bom dia de praia. De manhã fomos ter com a família Duarte, do blogue "Onde Andam os Duarte?", que estavam num hotel a uns 2 km de nós. Mantivemos o contacto com eles durante a viagem toda, mas andámos sempre um dia atrás, até que, no último dia deles no Sri Lanka, conseguimos finalmente encontrar-nos! Nada como conhecer pessoas fantásticas para alegrar um dia cinzento!

 

Seguimos depois para Galle, para conhecer o seu forte e a cidade antiga. Em Galle descobrimos um local que nos faria comer muito bem e muito barato várias vezes nos dias seguintes, o Perera & Sons, uma espécie de pastelaria e restaurante, com comida muito saborosa. 

 

A cidade velha em Galle fez-nos recordar um pouco Hoi An no Vietname, com as suas casas coloniais, baixas e antigas. Apesar que em Galle se vê que a maioria das casas já foi recuperada, mantendo só a arquitectura inicial. Passámos a tarde a passear nas ruas da cidade e nas muralhas do forte, cuja origem é Portuguesa. No entanto já não vestígios portugueses,  toda a construção que se vê foi feita pelos Holandeses, que tomaram a cidade no século XVII e a reconstruíram. 

 

Tínhamos pensado inicialmente alugar uma mota para nos deslocarmos mas bastou um dia a andar de autocarro naquelas estradas para nos fazer desistir da ideia. Basicamente os autocarros nunca travavam e faziam com que os carros e tuk-tuks tivessem de se chegar ao máximo para as bermas, enquanto as motas eram literalmente empurradas para fora da estrada. Assim, ficámos um pouco condicionados para jantar fora, porque os restaurantes mais próximos eram a pelo menos 2km. Para resolver o problema passámos num café de rua antes de irmos para o hotel e levámos um kottu rotti embrulhado para o jantar. E assim jantámos bem melhor e sem companhias indesejáveis.  

 

Quando acordámos na manhã seguinte, continuava a não haver sol, mas pelo menos não estava prevista chuva. Seguimos para Hikkaduwa, que nos diziam ser das melhores praias. Não era. Mas também ir à praia depois de uma tempestade e sem sol não ajuda muito à beleza das mesmas. A água estava meio acastanhada mas pelo menos a temperatura estava óptima. Ficámos a manhã por lá e, depois de almoço, metemo-nos no autocarro para voltar para trás. O próximo destino era a Jungle Beach. 

 

A Jungle Beach, para quem vai a pé, não é de acesso fácil. Primeiro exige uma subida grande pela estrada e, já próximo da praia, temos de descer por um carreiro um pouco íngreme. Mas tudo isto não seria um problema se a praia depois fosse boa, mas, mais uma vez, foi um pouco decepcionante. A água continuava castanha e com lixo a boiar. Mal entrámos na água porque sentíamos coisas que não víamos a tocar-nos nas pernas. Desistimos e seguimos para a próxima praia. Fomos a pé por um caminho no meio do mato que o maps.me nos indicava. Um pouco receosos se iríamos dar ao sítio certo, mas a verdade é que chegámos a Unawatuna sem grande dificuldade. Fomos descobrindo que aquela zona tem o turismo altamente dirigido para os russos, ao ponto dos cartazes e menus estarem traduzidos para russo. 

 

Unawatuna é uma praia bem mais agradável que as anteriores. É uma baía enorme, rodeada de pequenos hotéis e restaurantes. Ficámos lá até se aproximar uma nuvem bem escura que nos fez ir saindo calmamente da praia. A nossa calma não foi suficiente para nos fazer escapar da chuva. De repente levantou-se um vento e começou a voar tudo pela praia, desde toalhas a chapéus de praia. Toda a gente fugiu para os restaurantes enquanto uma chuvada torrencial caía. Mas foi uma chuvada muito rápida e em pouco tempo estávamos a comprar comida para levar para o jantar e apanhar um dos últimos autocarros do dia para voltar ao hotel.

 

A manhã seguinte começou de forma a animada. Como percebemos que o pequeno almoço ia ser outra vez igual, pedimos ao cozinheiro para nos fazer um pequeno-almoço típico do Sri Lanka. O senhor ficou um bocado confuso e nisto chega o dono que nos pergunta se pode ser "milk rice". Dissemos que sim, não fazendo ideia do que lá vinha. Sentámo-nos e aparece o cozinheiro ao fim de um bocado com uns cubos de arroz empapado e um prato com um molho vermelho, seguido do dono que ficou novamente a um metro de nós à espera que comêssemos. Comer arroz empapado com molho de tomate e cebola picante ao pequeno-almoço e ter dizer que está bom não é fácil, mas conseguimos disfarçar. 

 

Desta vez íamos até Mirissa e fomos para a estrada principal para apanhar um autocarro. Sabíamos que era feriado, o Poya Day (Lua cheia), mas não sabíamos que isso implicava quase não haver autocarros e, os poucos que havia não pararem. Decidimos alugar uma mota nesse dia. Fomos até um local um pouco mais à frente onde tínhamos visto haver motas para alugar e alugámos uma por 24 horas. 

 

Fomos até Mirissa de mota e descobrimos um cantinho de praia altamente paradisíaco, para compensar os dias anteriores. Ficámos o dia inteiro lá, entre sestas à sombra, banhos e batidos de fruta. Decidimos jantar em Galle por acharmos que seria um sítio giro à noite. Saímos mais cedo da praia e fomos ao hotel tomar banho para depois seguir viagem até Galle. Ficámos um pouco decepcionados porque esperávamos, à semelhança de Hoi An, que fosse uma cidade cheia de luzes e restaurantes bonitos. Mas não era. Tinha efectivamente restaurantes bonitos mas bastante mais caros que os normais. Escolhemos um numa rua mais secundária, mas sem grande piada. 

 

No dia seguinte a aventura do pequeno-almoço foi ainda maior. Comecei por dizer ao cozinheiro que queríamos torradas, omelete e fruta, mas sem sucesso. Desta vez, além de ainda mais cubos de arroz ainda tivemos direito a um batido verde, com um aspecto duvidoso, numa caneca transparente enorme. Ainda provei mas aquilo era literalmente sopa estranha! Quente e tudo! Tinha acabado de beber café com leite e a seguir bebi sopa.. ia saindo um vómito mas controlei-me. Desta vez não consegui fingir que era bom. O Pedro conseguiu focar-se em que aquilo era sopa e bebeu tudo. Felizmente não tínhamos o dono do hotel a olhar para nós. À saída o Pedro foi ter uma conversa com o homem acerca do pequeno almoço do dia seguinte e esse já correu bem, sem novidades.

 

Fomos devolver a mota e seguimos de autocarro para a baía de Welligama para experimentarmos uma aula de Surf. Ainda tivemos algum tempo na dúvida mas decidimos que tão cedo não teríamos outra oportunidade de experimentar uma aula de surf num sítio com poucas ondas, água quente e barata (cerca de 13€ os dois, por duas horas). Negociámos com o primeiro tipo que nos tentou vender a aula e acabámos por ficar logo lá. É certo que se tivéssemos continuado a andar ele ainda teria baixado mais, mas já achámos que o preço era justo por isso aceitámos. A aula foi engraçada e ainda conseguimos pôr-nos de pé uns segundos várias vezes. Valeu muito a pena a experiência. 

 

A praia em si não tem mais nada além das aulas de surf, por isso seguimos viagem para Mirissa, a nossa praia preferida. Desta vez ficámos até ter começado a chover torrencialmente. Felizmente as chuvas tropicais caem com toda a intensidade mas também desaparecem num instante. Voltámos para o hotel de autocarro para a viagem mais assustadora de sempre. O condutor era completamente louco e ia batendo várias vezes. Foi tão assustador que saímos do autocarro a 3 km do hotel e fomos a pé. Graças a essa caminhada conhecemos as praias daquela zona e assistimos a um bonito pôr do sol.

 

No nosso último dia no Sri Lanka só conseguiríamos aproveitar a manhã porque tínhamos um voo em Colombo para apanhar ao final do dia. Ficámos pelas praias mais próximas do hotel, em Kabalana, onde estivemos a manhã toda. 

 

Apanhámos depois um autocarro até Galle onde almoçámos e o comboio até Colombo. Felizmente fizemos tudo com antecedência e apanhámos um comboio uma hora mais cedo do que prevíamos porque demorámos quase 3 horas a chegar de Colombo ao aeroporto. 

 

Ainda nessa noite aterrámos no país seguinte, onde estaríamos pouco tempo mas muito bem!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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