A pedido de uma família (a nossa) voltámos à Serra da Freita

24 Jul 2017

O membro mais novo da nossa família faz anos no último dia de Junho, que este ano calhou a uma sexta feira. Fomos convidados pela cunhada S. para voltar à Serra da Freita para umas caminhadas e campismo. Aceitámos logo!

 

Conseguimos um bom preço de avião Lisboa - Porto com ida na 6ª à noite e volta no Domingo, também à noite, e aproveitámos logo para comprar. Assim, mesmo saindo de Lisboa às 20.20 ainda fomos a tempo do jantar de aniversário do nossa pequena I. (jantar um pouco tardio, com o atraso do voo, mas jantámos e cantámos os parabéns).

 

No sábado saímos cedo em direcção à Serra. O nosso passeio do dia ia ser a o percurso " A Aldeia Mágica", assinalado como PR14 dos percursos pedestres de Arouca. Este percurso tem início na aldeia de Regoufe, onde existem umas antigas minas de volfrâmio (que só vimos ao longe). É um percurso linear, com 4 km para cada lado. Apesar da ficha técnica do percurso dizer que é aconselhado durante todo o ano, eu não concordo. Tivemos sorte porque não estava muito calor, apenas cerca de 20º e mesmo assim já sofremos com a falta de sombras, por isso desaconselho-o em dias muito quentes. 

 

O início do percurso, ainda na aldeia de Regoufe, não é muito óbvio, mas basicamente é descer tudo até chegar a um ribeiro. Depois de atravessar o ribeiro começa a subida por um terreno de pedras soltas. Não é muito íngreme mas ainda é algum tempo a subir. As pessoas que no início vão animadas e faladoras rapidamente se silenciam e poupam energia para a subida, dando as suas vozes lugar aos sons da natureza. Chegando ao topo encontram-se muitas indicações e setas feitas por caminheiros. E aí começa a descida. É aí que se sente a nossa pequenez, perante uma serra a perder de vista. É aí que se sente a tristeza de ver uma área tão vasta queimada pelos incêndios do ano passado.Na descida o terreno já é mais suave, com menos pedras soltas. Aos poucos vamos começando a ver a aldeia de Drave lá ao fundo. 

 

A aldeia de Drave, sem acesso de carro, sem electricidade, água canalizada, rede de telefone ou qualquer outro sinal de modernidade, perdeu o seu último habitante em 2000. Desde aí serve apenas como base nacional de escuteiros. E serve também de exemplo de uma aldeia típica, com as suas casas de pedra  e telhados de xisto. Algumas das casas já estão muito destruídas, outras foram recuperadas pelos escuteiros. 

 

Não sei porque lhe começaram a chamar aldeia mágica, mas assim que lá entrei senti a magia. De repente não estava mais em Portugal e em 2017. Entrei num mundo mágico, noutro século, na aldeia do Astérix, sempre à espera de encontrar um Druida em cada casa para onde espreitei.

 

Almoçámos junto a um riacho e depois do descanso seguimos o curso da água. Encontrámos uma pequena cascata no meio das rochas de água azul turquesa. Seguimos novamente o caminho até uma cascata maior que formava uma pequena lagoa onde era possível tomar banho, o poço natural de Drave. Não fomos porque a temperatura à sombra não estava convidativa, mas com alguma pena porque a cor da água era bem aliciante. 

 

Regressámos assim a Regoufe. A volta é mais difícil. Apesar a inclinação ser menor, a distância a subir é bastante maior. E, no fim, esperava-nos aquela descida de pedras soltas. Atravessamos o riacho sobre pequenas pedras porque falhamos o acesso à ponte. Demos prioridade às cabras que seguiam para as pastagens com as suas pastoras e seguimos para o único café da aldeia para recuperarmos do calor e do cansaço.

 

Após algum tempo meio perdidos (só tínhamos gps do telemóvel e rede é uma coisa escassa por aqueles lados), seguimos em direcção ao parque de campismo. Pelo caminho passamos pelo Portal do Inferno, uma estrada estreita erguida entre dois vales, com desníveis enormes, num misto de medo e surpresa pelas paisagens grandiosas. Parámos a meio num local conhecido pela Garra para apreciar a paisagem e depois seguimos directos ao Retiro da Fraguinha. Se tínhamos gostado do outro parque da Serra da Freita, este rapidamente o pôs a um cantinho. O parque, se não o é, parece completamente natural. Parece que de repente entrámos num bosque, com direito a um pequeno riacho com uma ponte de madeira e tudo.

 

O parque tem muito boas condições para o campismo e tem também a possibilidade de dormir em casas, naquilo que parece ser uma antiga escola primária adaptada. Os donos são um casal super simpático e prestável e os petiscos que lá servem são maravilhosos. Ainda para mais cruzámo-nos com um grupo de amigos, cheios de crianças. Ver aquelas crianças a brincar livremente na natureza e os pais a desfrutarem do convívio sem preocupações deu-me um gozo enorme. Só pensei: daqui a uns anos, quando o meu grupo de amigos estiver assim cheio de filhos, vamos voltar aqui!

 

A noite foi muito agradável, entre petiscos, vinhos caseiros e risadas, mas acabou já tarde. Por isso a manhã também começou mais tarde e, entre arrumar tudo e sair do parque já era quase meio dia. Decidimos almoçar e seguir para uma praia fluvial. Os planos eram ir para Espiunca por isso pusemo-nos a caminho e almoçámos algures pelo meio. Parámos nalguns pontos  de interesse pelo caminho, como o miradouro da Frecha da Mizarela, uma das maiores cascatas que já vi. No restaurante, o senhor que nos atendeu perguntou o que íamos fazer e aconselhou a irmos antes a Meitriz. Segundo ele a melhor praia fluvial da zona. Disse que era a 15 minutos dali e que a praia tinha água limpa, quente e um grande relvado. Bem, de tudo isto a uma coisa verdadeira era a temperatura da água. Demorámos cerca de 40 minutos a chegar à praia, por estradas pouco convidativas. Chegados aos destino deparámo-nos com uma zona de erva (e não relva), um bocado de areia e uma água meio castanha. Mas já que lá estávamos, ficámos para um banho que o calor apertava. Mas não vale a pena o esforço de lá chegar. Foi a desilusão do dia. 

 

À noite, regressámos a Lisboa com a sensação de que estávamos a regressar de férias (acho que o avião ajuda). E que boas que elas tinham sido! Obrigada S. e Z. pelo convite, por nos levarem a sítios espectaculares e, acima de tudo, pela vossa companhia fantástica!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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